Doce adeus

...
Confesso que algumas lágrimas caíram.
Para ser mais franca, confesso que chorei.
É doloroso estar vivendo o fim do que já sabia haver prazo de validade, mas que vivia desfrutando de cada fração de tempo, sem lembrar que existia um mundo lá fora.
Às vezes penso que a vida passa tão rapidamente. E dentro de um contexto caótico que vivemos, hoje estamos vivos, mas amanhã, literalmente, já não temos essa certeza. E, nisso, busco fundamentar algumas aventuras que fatalmente machucam ao final.
Mas lá dentro do meu coração, estão fincados com infinita plenitude tudo aquilo que é certo e errado – ainda que tão subjetivas expressões, todos os conceitos, valores, princípios e paradigmas aprendidos/impostos/compreendidos/absorvidos durante os anos, durante a caminhada, durante as quedas, as lágrimas, os términos, os fins, enfim, durante a estrada pessoal que todos nós percorremos.
O carpe diem toma forma por um momento, talvez em vários, talvez naqueles momentos mais memoráveis e cheios de amor que eu já tenha vivenciado, mas que, paradoxalmente, vão matando o melhor que há em mim, ao mesmo tempo em que me “envivecem” com cada novo sorriso ou expressão de prazer que consigo arrancar de ti.
Eu não sabia quando, nem onde, mas dia após dia, estava mais próximo do final. E quanto mais tempo se passasse, maior a cicatriz que deixaria. Não por falta de carinho, de gostar, de respeito, pelo contrário, seria tanto amor e paixão, que não se amoldaria à pequenez da escuridão.
O coração ficou apertado ao pensar que não teria mais com tanta frequência o teu carinho, teu beijo... Que teu sorriso estaria distante. Que nossa forma de falar já não seria a mesma...
Eu sei que estava tudo tão recente, mas tenho a completa e clara visão de tudo o que isso poderia e fatalmente se tornaria.
Sei que ainda poderíamos ir mais longe, que as brincadeiras ainda eram reais. Que o pseudo-ciúmes ainda era um singelo sinal de doçura...
Mas sabe aquele Déjà vu que simplesmente destruiria o restante do seu emocional/moral? É dele que tenho receio, para não dizer: um leve desespero.
É o medo desse pânico que me move a chorar agora, no começo de tudo que poderíamos ser ou não ser. São essas lágrimas de agora, de hoje, que me deixam, confusamente, feliz. Somente quem já passou pela indecifrável dor do romper é que entende o que é não querer fazê-lo novamente, principalmente, nos mesmos termos.
Por que não apareci antes? Por que não apareceu antes? Surgiu essa repentina e bem espontânea indagação ao longo de uma conversa numa mesinha regada a uma excelente cerveja e um péssimo vinho. Por que? Não sei. Só posso dizer que cada minuto da sua companhia no agora, recebo como uma verdadeira dádiva. E cada minuto que vier, não será diferentemente conceituado, independente de como será.
Vou ter vontade de te ligar, de conversar contigo, enviar mensagem... me perdoa se eu não conseguir evitar em alguns momentos. Também me perdoa se eu quiser provar teu beijo de novo... se eu quiser sentir teu cheiro novamente... se quiser sentir teu corpo outra vez... me perdoa... É somente força do hábito do coração, que já havia se acostumado com tão doce e leve sintonia.
O único pedido foi que fosse definitivo. Um pouco cruel e amargo, mas cristalinamente sensato.
Não vou questionar o seu sentimento por mim e nem o meu por você. Eu sei que o que sinto por ti é tão lindo, que não queria que o futuro estragasse. E sei que o que sente por mim, é doce e sincero. Já basta.
É o suficiente para carregarmos doces lembranças e risadas... encontros regados à aventura e uma boa dose de desejo... Conversas sempre longas, que poderiam atravessar uma madrugada...
Tua presença aqui no meu espaço... deitado comigo... uma tarde memorável... de amor, prazer, desejo e bom... mais prazer, para não dizer em outras palavras.
Futebol, estádio, coxinha, pizza, cerveja, vinho ruim... um empate desgraçado aos 47 minutos... um empurrão proveniente da emoção que não conseguiu conter ao ver o gol de um time que, vale ressaltar, “não torce”. Rsrs
Sonhos que compartilhamos e nem sabíamos... que queria muito que pudéssemos realizar juntos um dia.
Enfim... vontade recíproca de ajudar um ao outro... profissionalmente, emocionalmente...
Presentes que marcarão por um longo período de tempo... provavelmente para sempre.
Vontade de estar perto... a saudade... o olhar... vontade de viajar juntos...
Vontade...
Compartilhamos momentos de vitórias e até Chandon já tivemos a oportunidade de apreciarmos junto...
Inegavelmente foram momentos perfeitos. Uma dupla que encheria os olhos de Fernando Pessoa, que inspiraria as mais belas poesias.
Eu só queria finalizar, mesmo porque eu poderia ficar o resto da noite escrevendo sobre ti, mas queria encerrar esse texto, poesia, prosa, confissão...
Dizendo que você é incrível. Um dos homens mais incríveis que já conheci, talvez o mais. Um excelente e admirável profissional. Comprometido e admiravelmente inteligente. Elegante, lindo, cheiroso, charmoso e educado (...).
Parabéns por essa linda pessoa que você é. Eu serei extremamente plena se um dia dividir contigo a esse sonho que bêbadamente sonhamos - e só nós saberemos, e, no entanto/ainda, continuarei extremamente feliz e HONRADA em continuar dividindo (e, principalmente, APRENDENDO) contigo os embaraçosos e dificultosos, mas recompensadores caminhos da advocacia.
(algumas letrinhas)... que nome doce, singelo e forte ao mesmo tempo.
Eu posso te dizer, por fim, sem ter medo de qualquer interpretação, que: eu amo você.
Na plenitude que se pode amar alguém que só te fez bem.

diLkinha
2018