(Or)ação da Manhã
...
Eis-me aqui, sem nenhuma gota de café, querendo apenas
acertar.
Encontrar o caminho da paz, da possibilidade.
O erro está sempre tão próximo, as oportunidades passam tão
mais perto do que queríamos.
É preciso mudar.
Alterar as velhas práticas, renovar o vocabulário de ações.
Conter-se.
Mas como se conter diante do incerto, do inseguro?
Diante do não sei?
A possibilidade do adeus, incrivelmente, choca.
Ninguém está preparado para as partidas, ainda que pareçam
singelas.
Mas não estar preparada, não significa não suportá-las, algumas
vezes, é, até mesmo, desejá-las.
“Todo fim é um começo.”
(Coloco entre aspas porque alguém no mundo já deve ter dito isso
e se apossado dessas palavras).
Um começo que machuca, que confina.
Mas, enfim, não quero o fim, nem o começo.
Quero o meio: essa imensidão de dúvidas, receios e anseios.
Quero continuar com as orações da manhã e as gotas
alucinógenas do teu café.
Dilka God.