Sabe lá...
E este sentimento que não me deixa?
E esse sentimento que não te deixa?
E aquele sentimento que, provavelmente, não nos deixará?
Bendito seja o amor se for ele mesmo o responsável por tantas lembranças
que insistem em persistir.
Descobri que esta história não tem fim.
Desejo, já sem ânimo, que possamos vivê-la juntos, mas sei que há
manchas não apagáveis e feridas não curáveis, as quais o amor terá que
suportar para vencer.
Vencer a luta entre a distância e os resquícios de um tempo bom, de um
sentimento jamais experimentado novamente.
Vencer a expectativa do novo, onde já não nos conhecemos mais.
Vencer nós dois.
Vencer a saudade do que não vivemos e o desejo que não restou fugaz.
Estamos exaustos da indefinição.
A poesia não é mais a mesma.
As palavras estão crescidas e cansadas.
Não há mais a mesma esperança, nem a mesma certeza de que tudo vai ficar
bem.
De uma forma ou de outra, as lágrimas insistem em encharcar os olhos,
alagando o coração de lembranças e incertezas vãs.
Nem sei mais o que sentir, nem sequer o que pedir.
Só sei que “amar não é ter que ter sempre certeza.”
