Pedro, o Sangüíneo
PEDRO, O SANGÜÍNEO
Antes de começar a escrever sobre o tema de hoje, não posso deixar de soltar algumas palavras sobre nosso tão conhecido Pedro.
Estava em mais uma doce leitura da bíblia, aconchegada em meu quarto, em minha cadeira que range amiúde, lendo e confirmando o que tinha aprendido sobre Pedro em outras leituras, quando me veio tão rápida e sorrateira semelhança daquele temperamento com o meu. Pedro era sempre tão extrovertido, parecia que a vida era uma festa. Desinibido, falante, alegre, mas também, muitas vezes impulsivo e egoísta.
Ninguém mais, além de um sangüíneo nato, seria capaz de repreender Jesus. Ele o fez. Sempre tão pronto a aceitar uma proposta, nem pensa, se parece bom, ele já corre e se firma até que não apareça outra coisa melhor pra ele se ocupar.
Pedro, quando começou a andar com Jesus, ainda não tinha um coração transformado pelo Espírito Santo, ainda não tinha domínio-próprio e não conseguia controlar o seu temperamento, mas depois de sua caminhada, conseguimos perceber a mudança extraordinária na vida de Pedro.
Quando Pedro corrobora e diz: - Jesus, meu amigo, eu nunca vou te abandonar! Não tem nem perigo! (Não com essas palavras, enfeitei um pouco. São traços de vários cultos com o Pr. Elienai, ele costuma mudar um pouco as falas, deixando-as mais claras –às vezes – ele até imita as vozes de alguns personagens de vez em quando, muito legal.) Ali estava um homem, com sua certeza efêmera, dizendo o que não conseguiu cumprir.
Jesus disse que antes do galo cantar duas vezes, Pedro O negaria 3 vezes. Pior que foi o que aconteceu. Eu fico aqui imaginando, a agonia de Pedro, seguindo o sofrimento de Jesus. Escondido ali. Pra começar, já tinha negado. Só por estar se escondendo. Mas aí, veio a confirmação. As mulheres o apontaram e disseram que ele era amigo (veja, amigo) de Jesus. E ele disse que não. Duas vezes. Depois outro cara: - Tu és Galileu! És amigo de Jesus! E ele disse que não. Se um amigo meu dissesse que não era meu amigo, que não me conhecia, do jeito que eu amo os meus amigos, isso ia dar uma dor no coração que eu acho que morreria. Parece que Jesus já sabia, né? Até tinha dito isso a Pedro. Vai ver Ele o conhecia tão de perto, tão intimamente que já era capaz de desvendar alguns comportamentos de Pedro. Coloca-se, também, palavras proféticas de Jesus nessa parte, porque dizer que Jesus conhecia muito Pedro e acreditava que Ele podia negá-lo, mas antes do galo cantar duas vezes, aí já é demais. É profecia e pronto.
O que o Pedrinho fez não foi muito bonito. A conseqüência foi tão desastrosa praquele coração, praquela alma. Quando chega ao final do texto que diz que ele chorou, me deu um aperto no coração. É que às vezes eu sou parecida com ele. Falo ou faço alguma coisa impulsivamente e depois vem o arrependimento. Como dói.
Mas ainda não é aí que eu quero parar. O que me veio ao pensamento depois que terminei de ler essa parte do livro de Marcos, foi que Pedro negou a Jesus, literalmente, pois está escrito na Bíblia.
É facílimo acusar Pedro. – Pedro, você negou a Jesus! Mas, cuidado. Em vez de Pedro, poderia ser: - DILKA, Mila, Ileide, Paulo, Júlio... vocês NEGAM a Jesus!
Quantas vezes nós também negamos a Jesus?
Olha que, às vezes, bem antes de o galo cantar 1 vez, a gente já O negou mais de 3 vezes. Negamos em gestos, em atitudes, no falar, no pensar, no olhar, no agir, na OMISSÃO... tantos.
Nesse momento, por exemplo, mal comecei a escrever o final e meu coração já está impulsionando as lágrimas ao pensar no quanto somos ‘negadores’. Vestígios inerentes de um temperamento sangüíneo. Não quero menosprezar o meu amor por Cristo, a minha paixão, o meu temor e alegria de vivê-lo em cada momento. Mas é que minhas falhas mexem comigo, me incomodam. Assim como deveriam incomodar as suas falhas à você.
“De tudo, ao meu Senhor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada são momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a salvação, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tenho ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a salvação, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tenho ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
Vinícius de Moraes (Adaptado)
Meu poema para o meu Senhor seria esse, me referindo ao amor que sinto. Há tantos outros que poderia citar, mas Vinícius me inspira a continuar. “Mas que seja infinito enquanto dure” e que dure a ETERNIDADE.
Estava só pensando, mas vou começar a agir. Negar ao meu amigo? Não consigo imaginar. Temos que ter cuidado porque nem Pedro, que estava tão mais próximo, imaginou.
“Nianas” (pra quem entende)...
Sabe do que se não vive?
Da ausência de amigos verdadeiros e dispostos a chorar depois de um erro imperdoável.
Dilkinha.